Bom dia queridos leitores. Hoje eu venho explicar como começou a vida na terra. Fui eu. Sério. Eu estava de saco cheio de não ter mais nada para fazer, e resolvi criar um bando de criaturas para assisti-las andar, babar e comer umas as outras. E depois de muito tempo vendo os mesmos bichos comerem uns aos outros e todo esse bla bla bla que os estudiosos falam sobre dinossauros e animais pré-históricos, eu resolvi criar um bicho mais engraçado. E eis que eu criei a raça humana. E dei a eles o direito de escolher serem idiotas, e eles, obviamente, escolheram. Uns mais do que outros, mas no geral, a maioria escolheu. Claro que alguns eu fiz a minha imagem (Brad Pitt) e semelhança (Einsten), mas na grande maioria eu simplesmente caguei.
Agora voltando ao texto de hoje, eu resolvi vos declarar como começou a minha terrível e temível experiência no perturbador e sem volta, universo das letras.
Se bem me lembro, eu tinha 12 anos. Talvez um pouco menos. Provavelmente eu havia tirado alguma nota baixa (talvez não necessariamente baixa, mas baixa para os padrões de exigência aos quais eu era submetido.) e por conta disso estava de castigo. E naquela época, quando os responsáveis ainda sabiam educar seus filhos, castigo era coisa séria. Eu ficava pelo menos um mês sem poder ver TV, jogar Video-game, computador ou receber amigos em casa. Não podia nem ir para a casa dos mesmos. Era casa-colégio-casa-estudar-dormir.
Bem, é mais do que óbvio que eu não estudava quando estava de castigo, uma vez que eu sempre tive facilidade para aprender as coisas. Mas mesmo não estudando, não me restavam muitas alternativas. Dormir, ler os gibis que eu já havia lido e brincar com a minha própria imaginação já não eram mais o suficientes, então eu decidi começar a fazer algo novo: escrever.
Entretanto eu me peguei em uma bela questão: sobre o que escrever? Bem, ao invés de tentar achar uma solucionática para a minha problemática eu optei pelo caminho mais árduo e doloroso. Resolvi escrever sobre qualquer coisa. E como não poderia deixar de ser, vindo de um pré-adolescente criado por vó, eu resolvi começar a escrever um diário. Relatar dia após dia tudo o que acontecia na minha vida.
Não demorou nem duas semanas e eu percebi o quão sacal é ter um diário. Aliás, eu sempre tive curiosidade de ler diários das minhas amigas e afins, não pelo conteúdo, mas para saber como diabos elas conseguiam manter relatos e detalhes de tantas coisas sem enjoar, reclamar ou desistir de fazer isso. Infelizmente nenhuma delas nunca acreditou nisso e eu nunca li nenhum diário. Pelo menos não com a devida permissão alheia.
Dado a fracassada experiência do diário, eu decidi fazer aquilo que eu sabia que poderia me adiantar com as garotas: academia, digo, poesia. Poetar é, como dizem os mais românticos, explicitar tudo o que há de mais belo e doloroso no seu coração. Resumindo, meu coração é horrível, porém muito feliz, porque eu NUNCA consegui escrever nem meio soneto. Aliás, como poeta eu sou também um péssimo astronauta. Sério mesmo. Por mais que eu me esforce, nunca cheguei nem a pisar na lua, quanto mais escrever um poema.
Começava a ficar sem muito ânimo. Estaria minha carreira como escritor terminada, antes mesmo dela começar? Mas eu, como um bom brasileiro que não desisti nunca (mentira), continuei persistindo no erro. Sabe quando você tem aquela sensação de que algo melhor te espera mais a frente? Então, por mais que eu não tivesse isso, eu insisti. E resolvi que escreveria estórias.
Para os mais chatos, é estória mesmo, sem H e com E, por se tratar de algo fictício. E as estórias não eram ruins, juro. Porém eu tinha preguiça demais para escrever/digitar. Um amigo meu resolveu publicar algumas de minhas estórias no website dele. Eu acabei por escolher a pior delas, a que menos tinha fundamentos, mais clichês, mas que sem dúvida era a que eu mais gostava. Fez meio sucesso, entre os meus amigos idiotas da época e, após o website sair do ar, eu continuei escrevendo e mandando por emails para os interessados. Como vocês podem imaginar, teve um fim prematuro, chamado "formatar o HD". E se perdeu para sempre. Sorte a minha.
Após estas enormes falhas eu decidi que não escreveria mais. Sério mesmo. Jurei que pararia com esta idéia idiota de tentar exprimir algum talento que era evidente que eu não tinha. No geral, eu concentrava toda a minha criatividade em coisas mais imbecis, como jogos de computador, RPG e jogos de tabuleiro. E dava certo. Cheguei a criar um jogo de baralho que era, se não muito divertido, pelo menos inteligente e perspicaz. E RPG. Gastava quilos e mais quilos de criativade com RPGs que no final das contas nem sempre seriam bem aproveitados. Na grande maioria, não eram se quer aproveitados.
Mas a vida, essa sim é uma caixinha de surpresas. E eu, na eterna dúvida sobre para qual vestibular eu prestaria, decidi, em cima da hora (último dia para entregar o formulário de inscrição, faltando meia hora para o local fechar) colocar como primeira opção Letras - Português Literaturas. Delícia, não é mesmo?
Só que ao contrário do que vocês estão pensando, não foi isso que me fez voltar a escrever. Até porque, eu nem terminei a faculdade.
O que me fez voltar a escrever fui eu mesmo. Ou quase isso. Meu irmão mais novo, que para todos os efeitos eu falo que sou eu 5 anos mais novo, estava em dúvida sobre como se descrever no "Quem sou seu" do orkut. E eu, com poucas palavras (tá bom, não tão poucas), o descrevi de uma tal maneira que ele gostou, adotou e a manteve por, digamos, um bom tempo. E a minha auto descrição do "Quem sou eu" era, modéstia a parte, a melhor que eu encontrei até hoje no orkut.
E isso, óbviamente, fez com que eu recebesse elogios, de algumas pessoas. E tudo que eu não precisava era ouvir elogios do tipo "nossa, como você escreve bem!". Admito, foi a minha danação. Quando eu menos percebi, estava novamente as voltas com as letras, querendo escrever, descrever e relatar tudo o que eu podia. E também o que não podia. E foi a partir desse momento, que minha pobre alma, tinha seu preço decretado e eu, por mais que não quisesse, e eu sempre jurarei dizendo que não queria, tive minha vaidade recompensada e mergulhei novamente, na doce ilusão de que um dia eu poderei ter um ateto sobre minha cabeça e um pouco de comida para forrar o estômago, apenas com o que as letras hão de me proporcionar. Que eu terei meu nome impresso em uma maldita capa de um maldito livro que, sem a menor sombra de dúvidas, viverá mais do que eu.
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